SIGA SEU CÓDIGO GENÉTICO

 

POR Lee Haney

É importantíssimo que você entende seu código genético. Esse guia dará a você uma fórmula que lhe permite maximizar seu treinamento e nutrição para que conquiste seus objetivos. Se não souber como é, ou se não seguir seu código, não praticará os esportes para os quais está naturalmente propenso e não personalizará seu treinamento e nutrição de acordo com suas necessidades.

TRÊS SOMATÓTIPOS E PARA QUEM ESTÃO DIRECIONADOS

Há duas correntes de pensamento que classificam as pessoas: por tipo de corpo e por tipo sanguíneo. Prefiro a de tipo de corpo, pois acho mais válido usar esse critério para falar e pensar sobre as características físicas que pertencem a cada atleta.

ENDOMORFOS:

São grandes, volumosos, fortes, mas seus níveis de resistência são muito limitados.

Os Strongmen, levantadores de pesos e jogadores da linha ofensiva no futebol americano tendem a ser endomorfos. Sua pesada estrutura óssea está direcionada para a força bruta em períodos curtos de tempo.

Mark-Henry

MESOMORFOS:

São musculares e explosivos. A maioria dos corredores e receptores no futebol americano são mesomorfos já que sua constituição muscular de fibras de rápida contração é ideal para esse tipo de posição durante os jogos. Os velocistas de elite também são mesomorfos. Os melhores fisiculturistas, como eu e o Arnold, estamos muito perto de sermos mesomorfos puros, com uma estrutura de ombros largos e quadris estreitos.

lee haney & arnold

ECTOMORFOS:

São magros e não têm muita massa muscular. Possuem fibras musculares de lenta contração por isso têm uma resistência incrível. Olhe os maratonistas do Quênia e Etiópia, eles são o mais semelhante a um ectomorfo puro.

ectomorfos en acción

JOGUE COM SUA FORÇA GENÉTICA

O termo “código genético” evidencia que herdamos certas qualidades físicas de nossos pais, e assim sucessivamente. Para saber de onde vêm meus genes mesoformos, só basta olhar meus pais. Meu pai media 1,80 m e pesava 99 quilos. Tinha ombros largos e um físico muscular sem jamais ter feito um treinamento com pesos. Minha mãe media 1,83 e pesava 90 quilos.

É obvio que eu tinha que ser um homem grande e musculoso.

Você já viu fotos dos pais de Arnold Schwarzenegger? Eles eran pessoas de contextura sólida e atlética. Quanto mais longe você for na sua árvore genealógica, você irá entender melhor como é a consistência de suas fibras musculares. Imagine se eu quisesse ser maratonista ao invés de fisiculturista.

Não há dúvidas que eu teria tido que perder muito peso e treinar minha resistência em vez dos pesos, mas no final, teria sido um bom maratonista?

A resposta é não. Meu corpo teria se revelado contra isso. Você não pode transformar um puro sangue em um lusitano. Obviamente somos seres humanos e não cavalos. Mas acho que você entendeu meu ponto.

O PERIGO DE IGNORAR SEU CÓDIGO GENÉTICO

Recentemente li uma trágica história sobre Fred Thompson, um menino de 19 anos, jogador de basquete dos Oregon State Beavers, que faleceu de um ataque cardíaco durante um jogo em sua universidade. Media 1.93 e pesava mais de 140 quilos. Tenho certeza que já ouviram histórias parecidas a essa de jovens esportistas que morrem subitamente durante um treino. Existem condições médicas pré-existentes, problemas do coração?

Suponho que sim. Mas também é certo que alguns treinadores põem o time inteiro sob a mesma pressão sem importar se é um jogador de linha ofensiva que pesa 130 kg ou um receptor de 80 kg.

Não reconhecer essas enormes diferenças físicas entre os tipos de corpo e para quê estamos direcionados é uma passagem direta ao desastre.

Um jogador da linha ofensiva tem que bloquear e proteger o capitão do time em períodos curtos e à máxima potência, poucas jardas em poucos segundos, muito similar ao que fazem os lutadores de sumo. Ele não deveria correr de um lado pro outro como um recebedor. Os jogadores dessa posição são estruturados de maneira diferente, pois a sua contextura corresponde ao que fazem durante o jogo.

Não tem sentido que todos façam o mesmo treino e infelizmente vemos casos onde se força um puro sangue a correr como um lusitano, com consequências mortais. Uma pessoa não deve forçar seu corpo a situações às quais não tem a capacidade de realizar.

APLICAR TUDO ISSO NO FISICULTURISMO

Até agora você deve ter a impressão de que não está geneticamente dotado para o fisiculturismo, devendo abandoná-lo imediatamente. Espere um minuto!

Essa não foi a minha intenção. Se você utilizar a ciência do treinamento e a nutrição para  personalizar um programa que se adapte às suas necessidades específicas você terá muito sucesso em suas competições.

Há muitos campeões com um código genético muito perto ao ideal, como o meu, Arnold e Ronnie Coleman. Mas também há outros como Rich Gaspari, quem sempre tentou tirar de mim o título de Mr. Olympia. Estruturalmente ele não tinha os ombros largos ou a cintura estreita.

A águia de ouro, Tom Platz, e Lee Labrada e Frank Zane eram naturalmente pequenos e magros. Mas todos eles conquistaram títulos profissionais no fisiculturismo.

Conseguiram o triunfo manipulando diferentes variáveis tais como o esquema de repetições, frequência do treino e o consumo de calorias.

Em nosso Programa de Certificação de Fisiculturismos, IAFS, por sua sigla em inglês, ensinamos que uma boa base de consumo de calorias para endomorfos é de 6 calorias por libra de peso corporal magro, enquanto que os mesomorfos precisam entre 10 e 12 calorias. Os ectomorfos de 15 a 17 calorias por libra. Esse e todos os outros fatores que devem ser levados em consideração ao personalizar seu treino e nutrição são cobertos em profundidade.

Em resumo, conhecer e seguir seu código genético é a chave do sucesso em qualquer esforço atlético.

lee hanney