ESTERÓIDES ANABÓLICOS – MÚLTIPLOS MODOS DE AÇÃO

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POR William Llewellyn

Os esteróides anabólicos androgénicos (AAS, por suas siglas em inglês) podem ser uma classe de medicamentos muito complicados, ao menos quando se trata de como funciona do ponto de vista técnico.

Aparentemente têm um trabalho básico e centrado – instruir às células dos músculos a aumentar a síntese protéica. A mensagem “anabólica” que diretamente envia facilita o crescimento de músculos maiores e mais fortes. Sob uma perspectiva bioquímica, é uma atividade para a qual essas drogas parecem estar especialmente desenhadas. Entender como enviam a mensagem, é algo muito complexo.

Os ASS têm diferentes modos de ação, cada um dos quais tem um papel importante em determinar que mensagem a ser recebida pelo músculo e quão forte responde a ela. Uma publicação da revista Cellular and Molecular Life Sciences me lembra da diversidade desse processo. Os ASS se baseiam estruturalmente nos esteróides sexuais masculinos.

Os dois representantes primários do grupo são a testosterona e a dihidrotestosterona. Os ASS sintéticos funcionam ao imitar as ações desses hormônios naturais do corpo. Em primeiro lugar,

isso envolve a união e ativação de receptores de hormônios específicos que residem nas células dos músculos. Isso causa a transcrição de certos genes, que em turnos provocam uma cascata de atividade que envolve fatores de transcrição muscular, enzimas, proteínas e RNA.

Essa tradicional interação entre hormônio e receptor é uma atividade primária dos esteróides anabólicos. Porém, não é a única forma na qual se estimula o crescimento muscular. Adicionalmente, pode envolver modos de ação menos diretos. O estudo continua elucidando como os andrógenos podem se cruzar e reagir com outros receptores/hormônios anabólicos chaves.

Isso inclui coisas como Akt, miostatina, IGF-1 e Notch. Aqui os AAS podem aumentar ou diminuir a saída de hormônio, intensificar ou diminuir a afinidade hormônio-receptor ou alterar a resposta

biológica à estimulação hormonal. Dessa forma, os ASS podem apoiar uma mensagem anabólica, mas de forma indireta, por meio de outros hormônios.

Por último, explica que os esteróides podem influenciar o transporte de cálcio na membrana e outras atividades de sinalização. Isso ocorre sem interação com um receptor de esteróides tradicional.

Podem parecer muito diferentes uns de outros, mas esses mecanismos trabalham em conjunto para formar a resposta anabólica.

Pode ser que isso não seja um descobrimento novo, mas o estudo oferece uma referência concisa para o entendimento técnico da ação dos AAS. Claro, quanto mais sabemos do processo, mais perguntas ficam sem resposta.

md latino

REFERÊNCIAS:

Forsdahl G, Ostreicher C, et al. Carbon isotope ratio determination and investigation of seized testosterone preparations. Drug Test Anal 2011; Nov 18.

Dubois V, Laurent M, et al. Androgens and skeletal muscle: cellular and molecular action mechanism underlying the anabolic actions. Cell Mol Life Sci 2011; Nov 19