ERIC OISHI É REFERENCIA SUL AMERICANA NO POWERLIFTING

  • Por: MD Latino
  • December 12, 2012
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ERIC OISHI É REFERENCIA SUL AMERICANA NO POWERLIFTING

 

POR Kleber Caramello, MD Latino Brasil equipe

AONDE VOCÊ MORA, IDADE, E UM BREVE RELATO DE QUANDO COMEÇOU A FAZER MUSCULAÇÃO E A COMPETIR NO POWERLIFTING?

Moro em São Paulo – SP. Tenho 33 anos. Comecei a fazer musculação com 15 anos e a competir no Powerlifting com 23 anos.

QUEM FOI O SEU MAIOR INCENTIVADOR A COMEÇAR A COMPETIR, E QUEM LHE INCENTIVA AGORA?

Ingressei nas competições ao notar que, em comparação com os amigos da academia, eu tinha uma boa força relativa do peso corporal e tamanho. Procurei na internet sobre competições de Supino e logo achei as competições da Federação Paulista de Powerlifting e da Confederação Brasileira de Levantamentos Básicos, que são as sancionadas pela IPF.

Em 2002, iniciei nas competições de Supino e lá, tomei conhecimento sobre o Powerlifting, mas não tinha interesse em ingressar neste, pois já havia passado por uma séria cirurgia no joelho em 1998 (o qual ainda tenho um parafuso e a cirurgia não ficou boa, onde tenho constantes lesões, a musculatura não recupera, a patela não corre corretamente acarretando no maior grau de condromalácea, tenho a flexibilidade prejudicada e já tive que fazer uma nova cirurgia em 2010 para a retirada de corpos livres).

As pessoas da Federação Paulista e da Confederação Brasileira foram receptivas comigo e, um dos que me convidaram a iniciar no Powerlifting foi o presidente da Confederação, Julio Cesar Conrado.

Ingressei no Powerlifting pelo convite e receptividade de todos que hoje são grandes amigos meus. No início fui ajudado por diversas equipes como a GCA do Gilson Clemente e da Gérson Dória do André Dória.

Meus incentivos agora vem:

Da vontade de querer melhorar sempre, passando por cima de qualquer lesão que me atrapalhe

Da vontade de querer mais pódios em Mundiais, que é algo raro no Brasil e América do Sul

De conseguir mais uma vez representar o Brasil no World Games, o qual representei em 2005 na Alemanha e em 2009 em Taiwan; ano que vem, 2013 na Colômbia, é o próximo

De melhorar minhas marcas, meus números, meus títulos

De ver o nosso esporte Powerlifting crescendo cada vez mais no Brasil e no mundo; dos amigos que tenho dentro do esporte e, com eles, poder competir, viajar mundo afora e representar nosso Brasil da melhor maneira possível.

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TEM ALGUMA ESPÉCIE DE PATROCINADOR?

Atualmente recebo o bolsa-atleta do ministério dos esportes e o patrocínio da empresa de suplementos alimentares, Probiótica, a qual me ajuda com o fornecimento dos excelentes suplementos alimentares.

QUEM FORAM SEUS TREINADORES?

Desde o início sempre procurei sobre treinos, pesquisar e, sempre tentava aplicar algo que eu conhecia; acho que já era um feeling de treinador que sou hoje. No início fui ajudado pelo Gilson Clemente, André Dória e Julio Conrado. Nada mal não é? Hoje elaboro meus treinos e venho recebendo ajuda do meu amigo, atleta e treinador David Coimbra de Campinas – SP.

QUAIS SEUS MAIORES TÍTULOS? QUANTO JÁ LEVANTOU E EM QUAL CATEGORIA?

Minhas maiores conquistas foram em números:

10x consecutivo campeão Brasileiro de Powerlifting – CBLB – IPF (2003 a 2012);

7x consecutivo Melhor atleta do Brasileiro de Powerlifting CBLB – IPF;

10x consecutivo campeão continental de Powerlifting – IPF – NAPF -FESUPO, sendo 6 sul-americanos consecutivos e 4 pan-americanos consecutivos (2005 a 2012);

3x Melhor atleta do Sul-americano de Powerlifting;

2x Melhor atleta do Pan-americano de Powerlifting;

Tri-campeão Arnold Sports Festival no Powerlifting (2009 por pontuação Wilks e 2011 e 2012 por categoria);

2 participações no World Games e agora mais uma convocação para 2013;

E por eventos:

Medalha de ouro de Agachamento no Mundial IPF de Powerlifting em 2008 no Canadá;

Vice-campeão Mundial IPF de Powerlifting em 2008 no Canadá;

Medalha  de prata de Agachamento no Mundial IPF de Powerlifting 2011 na República Tcheca;

Terceiro colocado Mundial IPF de Powerlifting em 2011 na República Tcheca;

Medalha de bronze no Agachamento no Mundial IPF de Powerlifting 2012 em Porto Rico.

Nas antigas categorias, na 67,5kg fiz 290kg de Agachamento, 190kg de Supino, 277,5kg de Levantamento Terra e 735kg de Total.

Na 75kg fiz 310kg de Agachamento, 203kg de Supino, 292,5kg de Levantamento Terra e 782,5kg de Total.

A partir de 2011, a IPF reduziu de 10 para 8 categorias,  encaixando-se melhor no padrão olímpico e então migrei para a categoria 66kg e agora na 74kg.

Na 66kg eu fiz 300kg de Agachamento, 192,5kg de Supino, 265kg de Levantamento Terra e 750kg de Total.

Na 74kg eu fiz 312,5kg de Agachamento, 212,5kg de Supino, 270kg de Levantamento Terra e 785kg de Total.

QUAIS SÃO AS SUAS METAS NO AGACHAMENTO, SUPINO E NO TERRA?

Minhas metas para 2013 na 74kg são 325kg de Agachamento, 220kg de Supino e 285kg de Terra.

QUANTOS ATLETAS VOCÊ TREINA ATUALMENTE?

11 atletas.

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PODE DETALHAR COMO É FEITO E DIVIDIDO O SEU TREINO?

Meu treinamento é muito complexo, variando nas diversas competições no ano, mas focando principalmente no Mundial que ocorre sempre no início de novembro. Inicio em novembro, após o mundial, a fase de transição, que vem de um descanso e iniciando treinos leves, aumentando aos poucos repetições e cargas, saindo da transição e entrando na “pré-temporada” até chegar perto de 8 repetições máximas, visando aqui hipertrofia muscular, com um maior aumento de miofibrilas possível; neste momento treino de 4 a 5 vezes por semana, fazendo o Supino com outros exercícios de peito, ombro e tríceps, o Agachamento com outros de membros inferiores e o Levantamento Terra com outros exercícios de dorsais e um outros exercícios de membro inferiores, porém estes em uma intensidade menor.

O Supino eu repito mais uma vez na semana, mas de uma forma diferente e menos intensa.  A partir disso, vou diminuido as repetições máximas, baixando até 5 repetições. A partir disso elaboro um volume maior de séries de até 3 repetições nas séries pesadas, girando entre 75 e 85%. O volume e a intensidade são calculados por toda a periodização.

Nos últimos anos periodizei para um objetivo menor de cargas em março para o Arnold sports Festival. Depois passando pelo Brasileiro para chegar melhor no Sul-americano e finalizando com a periodização para o Mundial.

A variedade do treino é bem grande, usando também séries de potência por volta de 5 repeticões em torno de 70% e em torno de 60% quando utilizado elásticos puxando de baixo. Utilizo elásticos, boards e correntes no Supino, elásticos no Terra e correntes no Agachamento.

A 4 semanas da competição faço alguns treinos de 1 a 2 repetições girando em torno de 90 a 95%. Na fase pré-competitiva o treino na maioria das vezes fica divido em:

Segunda-feira: agachamento, Supino e auxiliares;

Terça-feira: off

Quarta-feira: terra com auxiliares de supino;

Quinta-feira: off

Sexta-feira: agachamento, Supino e auxiliares;

Sábado: terra e auxiliares.

QUERO A SUA OPINIÃO NUA E CRUA SOBRE O MULTIFEDERATISMO. JÁ COMPETIU EM OUTRAS FEDERAÇÕES? ACREDITA QUE EXISTE ESPAÇO PARA TODOS OU VÊ ISSO COMO UMA BAGUNÇA?

Não sou a favor do multifederatismo, pois desvirtua o Powerlifting que existe. Como sabem, a IPF (International Powerlifting Federation) é a maior federação, mais respeitada pelos órgãos esportivos e ligada ao COI (Comitê Olímpico Internacional), à WADA (World Anti-doping Agency), SportAccord (International Sports Federations) e IWGA (International World Games Association).

A criação de outras federações desvirtua, desiguala, virando uma bagunça mundial, pois, em um esporte que varia tanto em equipamentos, e o controle de dopagem, fica confuso quando as pessoas vêem diversas marcas, de diversos modos realizados.

Como exemplo contrário, não é como no boxe, onde apesar de existir várias federações, o atleta tem que entrar lá e lutar com praticamente as mesmas regras de outra federação.

É totalmente diferente agachar em um “monolift” (o qual seria muito bom para mim, pois tenho dificuldade em andar com o peso), com faixas maiores, com macaquinhos de lonas, sem descer o quanto descemos pelas regras da IPF, fazendo o Supino em cima de banco de espumas largas (ficando quase declinado), usando camisas de diversos panos, e sem o controle de dopagem.

E não falo que é diferente apenas por falar, pois já fiz testes agachando menos e usando mais panos de camisas e, com execuções diferentes, e o resultado foi totalmente diferente, tipo pelo menos 50kg a mais!

Sem falar que, aparecem diversos “campeões mundiais” no mundo, porém, onde os mesmos sabem que competiram praticamente sozinhos ou com apenas um ou dois adversários, muitas vezes de nível baixo. Muitos não diferenciam o peso de ser campeão mundial na IPF com o peso de campeão mundial de outra federação.

Posso citar eu mesmo, buscando resultados de outras federações, nesses 10 anos de carreira, poderia ser mais de 10 vezes “campeão mundial”, em diversas federações, mas desta forma dentro de mim sei que não, pois assim não competi com os melhores do mundo e nem com um número grande de atletas de vários países.

Por outro lado, o multifederatismo é interessante para agregar o maior número possível de atletas para o Powerlifting, seja lá de que forma ele seja realizado, tentando buscar o maior número de adeptos no mundo , pois o Powerlifting não chega nos 4 cantos do mundo. Depois disso, cada atleta com sua consciência analisa o que é melhor para ele. Quem sou eu para julgar os outros? Cada um procura o seu espaço, o seu meio. Cada um é feliz do seu jeito.

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VOCÊ ACREDITA REALMENTE QUE O POWERLIFTING PODE VIR A SE TORNAR UM ESPORTE OLÍMPICO OU DEFENDE ISSO POR FAZER PARTE DA IPF BRASIL QUE PREGA ESTA POSSIBILIDADE A CERCA DE 30 ANOS SEUS ATLETAS?

Eu acredito que o Powerlifting possa se tornar olímpico pois conheço o trabalho que os dirigentes da IPF (IPF não é CBLB) fazem pelo mundo. Infelizmente existem diversos esportes tentando entrar nas Olímpiadas e, a concorrência, também atrapalha.

Um dos pontos negativos para o Powerlifting foi justamente a “alta” porcentagem de exames anti-doping positivos nos campeonatos internacionais, o qual deu cerca de 3% positivo e poderia no máximo ter dado 1%. Infelizmente a IPF pagou pela seriedade e pelo controle de dopagem, assim como é feito nos demais esportes olímpicos, todos controlados pela WADA.

Não existe IPF Brasil, eu faço parte da CBLB (Confederação Brasileira de Levantamentos Básicos) no papel de Diretor Técnico. Estou a 10 anos no Powerlifting e, não me lembro dos dirigentes no Brasil pregarem esta possibilidade. Acho que isso vem muito através de fofocas de atletas e equipes.

Como eu disse anteriormente, eu acredito na possibilidade, mas não digo que vai fazer parte, até porque, como nós dirigentes no Brasil podemos afirmar isso? Não somos nós que estamos tentando entrar nos Jogos e nem quem decide isso.

QUEM É OU SÃO SEUS MAIORES ÍDOLOS (AS) NO ESPORTE E SUAS MAIORES REFERENCIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS?

Tenho diversos ídolos, seja pelas marcas, títulos, garra, volta por cima São eles:

Internacional:

Masculino: Sergey Fedosienko, Andrei Tarasenko, Andrey Belyaev da Russia, Tsing Tsung Hsieh de Taiwan, Jaroslaw Olech da Polônia, Ed Coan dos USA, Ivan Freydun e Viktor Tetsov da Ucrânia, Hiroyki Isagawa do Japão, Anibal Coimbra de Luxemburgo.

feminino: Wei Ling de Taiwan, Natalia Salnikova e Yulia Medvedeva da Russia, Laryssa Soloviova da Ucrânia, Priscilla Ribic dos USA, Fiona Von Bachaus da Alemanha, Yukako Fukushima do Japão, Sari Noviana e Sri Hartari da Indonésia.

Nacional:

Masculino: André Dória, Eumenes Souza, Julio Conrado, Romeu Ghattas, Marcelo da Silva, Valdecir Lopes, Luciano Duarte, David Coimbra, Eduardo Kirino, Daniel Nacle e Claudemiro Batista.

Feminino: Ana Rosa Castellain, Irani Barbosa, Érica Bueno, Cícera Tavares e Patrícia Silva.

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