DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

 

POR Dan Gwartney

O VISUAL “SECO”

Antes de ver os protocolos de desidratação usados nas competições físicas (assim como na luta livre, boxe, equitação, modelos, etc.) é bom saber por que a retenção de líquidos afeta os fisiculturistas. Serei rápido e superficial, mas terão uma idéia da multidão de aspectos que antagonizam com o objetivo de um visual “seco”.

Os fisiculturistas dependem da massa muscular para parecer dominantes. Três dos hormônios comumente usados ou mal usados promovem a retenção de líquidos, forçando os competidores a não só ver os fatores que envolvem o equilibrio do líquido, mas também o excesso alterado farmaceuticamente, que traz como resultado a retenção de líquido. Estes hormônios são a testosterona, o hormônio de crescimento e a insulina. É estranho ver um profissional que não dependa dessas drogas nos eventos de hoje em dia.

A testosterona e os esteróides anabólicos androgénicos (ASS) são usados em múltiplas concentrações de substituição.

Quando um hormônio esta tão longe do seu equilibrio ocorre alguns efeitos adversos. Talvez seja sua forma natural de matar o anfitrião antes que o indivíduo afetado seja capaz de se reproduzir e transmitir esses genes, nosso DNA não entende de drogas e assume que as alterações fisiológicas são o resultado de uma falha na programação de nossos genes ou de um ambiente adverso.

Há dos fatores bem identificados mas poucas vezes discutidos que levam à retenção de líquidos com excesso de andrógenos: a supressão da liberação de peptídeo natriurético (PN) e o aumento da atividade de aldosterona.

O peptídeo natriurético é um grupo de hormônios diuréticos liberados por vários tipos diferentes de tecidos (coração, cérebro, etc.) em reposta a uma elevação na pressão sanguínea ou excesso de sódio percebido. Além de seus efeitos vasodilatadores (diminuição da pressão sanguínea ao dilatar os vasos sanguíneos), o PN causa que os rins enxágüem água e sódio e estimula a liberação da gordura acumulada nos adipócitos. Obviamente ao suprimi o PN se ocasiona uma maior retenção de água e sódio assim como um aumento na pressão sanguínea e armazenamento de gordura.

Pesquisas recentes mostram que aumentar as concentrações de testosterona livre está associado com concentrações significativamente baixas de PN4. O PN aumenta em associação com altas concentrações de estrógenos ou da globulina ligada a hormônios sexuais (SHBG), mas a maioria dos fisiculturistas suprime os estrógenos com o uso de inibidores de aromatasa, o que resulta em baixos níveis de SHGB. A SHGB está associada com a sensibilidade à insulina, quanto mais alto for o nível de SHGB maior será a sensibilidade à insulina em um individuo.

Não é surpreendente que a resistência à insulina esteja relacionada com um baixo NP, um fato que trataremos na discussão de hormônio de crescimento e insulina. Dessa forma, a elevação de andrógenos com inibidores de aromatasa leva à supressão de PN, resultando em retenção de líquido e sódio.

A aldosterona é um hormônio esteróideio relacionado ao equilíbrio de líquidos e sódio nos rins. A testosterona também está associada com o aumento de aldosterona; os estrógenos reduzem a atividade do sistema renina-angiostensina-aldosterona, resultando na perda de líquido. Quando a testosterona se eleva há uma maior propensão a aumentar a atividade de aldosterona nos rins, levando a uma reabsorção de líquido e sódio. O efeito combinado de diminuição de PN e aumento da atividade de aldosterona provavelmente explica a elevação de pressão arterial sofrida por muitos usuários de ASS.8 Muitos ASS prejudicam o metabolismo de cortisol nos rins, resultando em retenção de líquido e sódio.

O hormônio de crescimento já foi utilizado como droga anabólica, mas hoje em dia seu uso está mais orientado à lipolítica (redutor de gordura) e reparação/recuperação. O uso excessivo de altas doses de HC trazia como resultado edemas (retenção de líquidos, inchaço nos tornozelos, etc.), síndrome do túnel cárpico e resistência severa à insulina. A prática contemporânea usa doses mais fisiológicas de HC, combinado com IGF-1 para efeitos anabólicos. No entanto, elevações no eixo HC/IGF-1 resultam em edemas e resistência à insulina, incluso em escalada moderada.

Sugere-se em estudos que os receptores dos rins respondem ao HC e/ou IGF-1 (que pode ser produzidos localmente), resultando na reabsorção de sódio e fosfatos. Também há que lembrar que a resistência à insulina está associada com baixo PN, aumentando a retenção de líquido e sódio. Altas doses de insulina resultam também em retenção de líquido.

A insulina é um vasodilatador e pode produzir edema, assim como incrementar o armazenamento de gordura. Infelizmente parece ter se convertido em uma droga anabólica básica para alguns competidores.

md latino DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

DROGAS DIURÉTICAS

Dada a forte sinalização associada com essas drogas anabólicas comuns, junto a um elevado nível de cortisol ocasionado pelo estresse físico e emocional, não é estranho que os fisiculturistas necessitem recorrer a potentes diuréticos para se livrar do excesso de líquido como parte de sua preparação para apresentações. Deixando de lado as práticas de depleção de carboidratos, depleção de sódio, restrição de líquidos e outras técnicas, devemos discutir brevemente sobre as drogas diuréticas. (Obs: não se recomendam nenhuma destas práticas, as quais podem ser perigosas e colocar em risco a vida).

Quase nenhum fisiculturista usa diuréticos fora do período pré-competição ou para uma sessão de fotos. Os diuréticos interferem com o treinamento, crescimento muscular e enfoque mental quando se abusa deles. Isto não quer dizer que muitos fisiculturistas não façam uso de drogas anti-hipertensivas, as quais podem ter um efeito diurético leve (ex., inibidores ACE).

Geralmente, os fisiculturistas usam diuréticos leves a semana antes do evento. Isso ajuda na motivação, retração da pele, pois o físico começa a ficar mais nítido. Há diuréticos que são administrados oralmente e se consideram relativamente seguros.

EVAN CENTOPANI DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

O Dyazide (combinação de degeneradores e moderadores de potássio) é o mais clássico.1 Os fisiculturistas usam o dyazide em uma dose maior da prescrita nas instruções clínicas, mas geralmente não muito alta. Em conjunção com um curto período de depleção de carboidratos, restrição de líquidos e sódio, se podem notar resultados dramáticos. Os usuários de Dyzazide podem experimentar desidratação e perda severa de sódio, requerendo atendimento médico. No entanto, para o dia da apresentação, há um diurético tão potente que, sem dúvida alguma, é o rei da desidratação, a furosemida (conhecido pelo nome da marca Lasix).

O Lasix é a droga prototípica na classe conhecida como diuréticos de alça. Essencialmente, os rins tornam-se órgãos inteligentemente desenhado para interagir com o estado químico do sangue secretando e reabsorvendo eletrólitos segundo for preciso, em uma torneira aberta por onde saem todos os eletrólitos em forma de urina. A furosemida precisa ser dosada com muito cuidado, pois se perder muito sódio, potássio ou outros eletrólitos pode ter um funcionamento eletromecânico defeituoso.

A experiência de Paul Dillett serve de exemplo de um desequilíbrio nos eletrólitos. A dose adequada não será discutida, para evitar a impressão de que apoiamos essa prática. É mais sábio complementar com potássio ou magnésio, além deter abundante água e sódio disponíveis para tratar as câimbras como normalmente acontece nos campos esportivos durante jogos em ambientes quentes. Os fisiculturistas usualmente passam horas de cansaço tentando manter seus corpos no melhor físico possível para o evento da tarde e a sessão geral de poses. Não é pouco comum que combinem espironolactona com furosemida para tentar reduzir a perda de potássio e evitar os ritmos cardíacos adversos.

SETH FEROCE DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

Nessa breve introdução se abordam algumas questões que anteriormente não se discutiam em relação aos efeitos dos diuréticos como drogas anabólicas mal usadas, e se comentou de forma breve o uso de diuréticos para eliminar o excesso de água e líquidos e apresentar uma musculatura delineada com detalhes nítidos. Não se descrevem os vários compartimentos de água no corpo (intracelular, extracelular, intravascular, extravascular, intersticial) que devem ser considerados ao forçar um equilíbrio de líquido negativo com o uso de drogas diuréticas.

Muitas pessoas obcecadas com a perda de peso abusam dos diuréticos diariamente. Um atleta de luta livre profissional (WWF, por suas siglas em inglês) admitiu ter usado Cytomely e Laxis nos anos 80, de forma diária para se manter bem definido.

Médicos de pronto-socorro vêem regularmente pacientes (quase sempre mulheres) com ritmos cardíacos anormais causados por desequilíbrios de eletrólitos devido ao abuso de diuréticos. Há outras técnicas diuréticas usadas, mas que não discutimos aqui, enema hiperosmóticos, expansores do volumen de via intravenosa, etc.

Muitas pessoas pensam nos diuréticos como um fator benigno no fisiculturismo. Para os  competidores, se sabe que é um dos componentes vitais na preparação pré-competição, mas também é uma prática de alto risco. Assim como a insulina, os diuréticos podem causar estragos, inclusive a morte, como vimos nos casos de Andreas Munzer e Mohammed Benaziza.

andreas DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

mohammed benaziza DIURÉTICOS: O TOQUE FINAL (2)

REFERÊNCIAS:

Cadwaller AB, de la Torre X, et al. The abuse of diuretics as performance enhancing drugs and masking agents in sport doping: pharmacology, toxicology and analysis. Br J Pharmacol 2010; 161: 1-16.

Rubattu S, Sciarretta S. et al. Natriuretic peptides: an update on bioactivity, potential therapeutic use, and implication in cardiovascular diseases. Am J Hypertens 2008; 21:733-41.

Polak J, Kotrc M, et al. Lipolytic effects of B-type nautriuretic peptide 1-32 in adipose tissue of heart failure patients compared with healthy controls. J Am Coll Cardiol 2011; 58:119-25.

Lam CS, Cheng S, et al. Influence of sex and hormone status on circulating natriuretic peptides. J Am Coll Cardiol 2011, 58:618-29.

-NPeter A, Kantartzis K, et al. Relationships of circulating sex hormone-binding globulin with metabolic traits in humans. Diabetes 2010; 59:3167-73.

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