ARTRITE REUMATÓIDE: TREINAMENTO CONTRA RESISTÊNCIA COM PESOS COMO UMA FORMA NÃO MEDICAMENTOSA DE TRATAMENTO

  • Por: MD Latino
  • January 18, 2016
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ARTRITE REUMATÓIDE: TREINAMENTO CONTRA RESISTÊNCIA COM PESOS COMO UMA FORMA NÃO MEDICAMENTOSA DE TRATAMENTO

ARTRITE REUMATÓIDE

POR ICADE Internacional – Director General: Fernando Antonio Mella Herrera (Chile), Prof. Educación Física, Entrenador Personal, Advanced Bodybuilding and Fitness Trainer Specialist by IFBB Academy Víctor Barrios, Prof. Daves Fernando Dorigan (Brasil) – Profesor de Educacion Fisica, Pos Graduado em Fisiologia do Exercicio (GAMA FILHO), Especialista em Prescricao de Treinamentos para Grupos Especias (GAMA FILHO), Director IFBB/SP, Arbitro Sulamericano de Fisicoculturismo, Director Educativo do ICADE Internacional Brasil e Empresario.

 

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória, crônica, autoimune, sistêmica e progressiva. Atinge aproximadamente 0,5% a 1% da população mundial e predomina de duas a três vezes mais no sexo feminino. No Brasil, foi encontrada prevalência de até 1% na população adulta, estimando-se em 1.300.000 o número de pessoas acometidas, em que afeta com mais prevalência os indivíduos entre 40-60 anos.

Os sintomas mais frequentes de pacientes com AR são dores e inflamação advindo da doença, em que os pacientes acometidos pela doença também apresentam problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

Estudos demonstram que a evolução da AR está relacionada com a evolução e ou aumento da ansiedade e depressão nos indivíduos, com uma prevalência de 13% a 47%, sendo que estes transtornos são três vezes mais prevalentes em portadores de AR.

A reação inflamatória da AR seria desencadeada pela apresentação de um antígeno à um linfócito sinovial (LS) e a produção de mediadores inflamatórios como, interleucinas e citocinas.
Linfócios T CD4 positivos ou LS, são capazes de produzir citocinas, atraindo e ativando macrófagos, em que, por sua vez, produzem citocinas de processo inflamatório como interleucina (IL) 1 e fator de necrose tumoral (TNF). Além destas citocinas, outras também ajudam a manter o processo inflamatório como, fatores de crescimento, sinoviócitos, fibroblastos e células endoteliais. Outros estudos também demonstram a participação dos linfócitos B e a deficiência de inibidores de de citocinas (IL1, IL2 e TNF).
Em resposta a inflação tissular, a membrana sinovial sofre modificações (HIPERTROFIA E HIPERPLASIA) das células sinoviais e extensa neoangiogênise.

As citocinas e fatores de crescimento produzidos durante o processo inflamatório, como o fator derivado de plaquetas (PDGF), fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o fator de transformação de crescimento beta (TGF-beta) facilitam o influxo de células inflamatórias adicionais. Forma-se um infiltrado linfocitário proeminente, podendo estabelecer-se verdadeiros folículos linfoides, ricos em linfócitos T e plasmócitos, surgindo assim, a partir da membrana sinovial, o pannus – tecido granulomatoso com características tumorais, capaz de invadir e destruir os tecidos cartilaginoso e ósseo e responsável pela extensa destruição articular frequentemente observada na AR.

As propriedades destrutivas do pannus são relacionadas à produção de metaloproteinases de matriz (MMP) e outras enzimas que são capazes de degradar colágeno e proteoglicanos. Os neutrófilos mostram tendência à compartimentalização na artrite reumatoide, constituindo a maior parte do componente celular do líquido sinovial. Os neutrófilos são atraídos para o líquido sinovial por citocinas produzidas pelo tecido sinovial, sendo as mais importantes o fator de crescimento (TGF) beta e a IL-8, além dos clássicos fator C5a do complemento e leucotrieno B4. Como resultado, observa-se acúmulo de proteinases ativadas e metabólitos do oxigênio que contribuem para o processo.

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A principal deficiência funcional de pacientes com AR é a diminuição da qualidade de vida. Esta qualidade de vida engloba todos os aspectos da vida humana, inclusive as dimensões física.

Para isso a terapia com exercícios contra resistência com pesos é fundamental para a preservação do movimento, restauração do movimento perdido, aumento de força e resistência estática, aumento da resistência dinâmica, melhora da sensação de bem estar, e promoção da resistência cardiovascular.
A hipertrofia muscular é um factor primordial para a proteção da articulação inflamada, corrigindo e prevenindo desta maneira a perda e ou limitação do movimento articular, a atrofia e fraqueza muscular e a instabilidade das articulações.

Pacientes com AR exibem atrofia das fibras musculares tipo I e II, o que é exigido da musculatura relacionada com uma articulação artrítica é que ela efetue breves atividades de pressão dinâmicas ou estáticas, essenciais a funções básicas tais como levantar uma xícara de chá, levantar-se ou sentar-se, etc. Estas são basicamente funções de “levantamento de peso” associadas com atividades musculares do tipo II (glicolíticas, anaeróbicas) que são capazes de contrações resistivas fortes e curtas. Essas fibras são fortalecidas preferencialmente por contrações isométricas.
Programas de fortalecimento com pesos podem ser estáticos ou dinâmicos, ou uma combinação de ambos. Estes levam à hipertrofia da fibra muscular e melhoram a força e a função articular em pacientes com AR. Os exercícios isométricos ajudam a prevenir a atrofia muscular; eles também produzem menos inflamação e menos alteração na pressão intra-articular do que outras formas ou exercício de resistência. Exercícios isométricos deve ser prescritos na fase inicial e ou inflamatória, em que quando esta diminuir, poderá ser prescrito exercícios de contrações em diversas angulações.

 

Estudos atestaram que o treinamento contra resistência com pesos, ao contrário da fisioterapia convencional, aumenta a massa muscular, a força muscular máxima e os estímulos neurais em indivíduos com AR. A ativação neuromuscular em exercícios terapêuticos convencionais versus exercícios contra resistência com pesos, diagnosticou e chegou à conclusão de que os exercícios convencionais produzem ativação neuromuscular abaixo dos 40- 60% necessários para estimular o ganho de força muscular.
O treinamento contra resistência com pesos parece capaz de modular, na vigência de um quadro inflamatório crônico anormal, a expressão de citocinas pró-inflamatorias, moléculas de adesão solúveis e fatores quimioatratantes. A utilização do treinamento com pesos em que o paciente mantém um consumo de 70% VO2pico, durante seis meses, foi capaz de atenuar a expressão local aumentada de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6) no músculo estriado esquelético. Ainda, alguns estudos têm demonstrado alterações na concentração plasmática de IL-10 e IL-ra (receptor antagonista para IL-1) após o exercício contra resistência com pesos de alta intensidade, condição a qual pode contribuir ao milieu anti-inflamatório, e dessa forma, ser um importante mediador dos efeitos anti-inflamatórios do treinamento físico. A IL-10 pode atuar em diferentes tipos celulares e induz a supressão da resposta inflamatória nos mais variados tipos celulares. Além disso, essa citocina tem sido postulada como a principal molécula responsável pelo “orquestramento” de reações inflamatórias, em particular a inibição das alterações mediadas pelo TNF-α

 

Em outra investigação, estudos compararam os efeitos clínicos de exercícios com alta resistência (60% de 1 RM) e de exercícios com baixa resistência (10% de 1 RM) em pacientes com osteoartrite de joelhos. A carga era reavaliada a cada duas semanas. Os autores não encontraram resultados diferentes estatisticamente em relação a ganhos de força e função. Também foi investigado o ganho de força muscular através do treinamento com exercícios de alta (90%), média (70%) e baixa (50%) intensidade. A carga era reavaliada a cada duas semanas. Os autores concluíram que o maior ganho de força ocorreu no grupo que recebeu treinamento com exercícios de alta intensidade.
Em outros estudos, pacientes foram instruídos a realizar exercícios em máquinas para membros superiores e membros inferiores com três séries de oito repetições, duas vezes por semana, durante 12 semanas, com carga de 80-85% de 1 RM. A cada duas semanas a RM era reavaliada. Os autores concluíram que esse tipo de treino é viável e seguro para pacientes com doença controlada e mostrou ganhos na força, diminuição da dor e fadiga, sem exacerbação da atividade da doença.
Diante destas considerações, podemos colocar que a prescrição do treinamento contra resistência com pesos para pacientes com AR como forma de tratamento não medicamentoso e para uma melhora em funções físicas e qualidade de vida, deve ser executado de forma progressiva, desta forma implicando na da padronização e individualização dos protocolos de prescrição do treinamento para que os resultados do tratamento sejam otimizados e, mais que isso, para que esses protocolos possam ser reproduzidos em estudos futuros.

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ICADE-INTERNACIONAL

Director General 
Fernando Antonio Mella Herrera
ICADE Internacional, Concepcion – Chile

 

Referências:

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